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Sandro Dálio

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São Manuel, São Paulo, Brazil
Radialista há 32 anos. Jornalista MTB 37.152 - Proprietário do Porão Stúdios - Foi Radialista na Rádio Clube de São Manuel e na Rádio Nova São Manuel - Apresenta atualmente o 'Passando a Limpo' na Integração FM de São Manuel - Graduado em Marketing - Foi Ouvidor do Município de São Manuel - As matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

SÃOMANUELENSE "DA GEMA", DE ESQUERDA, FOTÓGRAFO POR HOBBY, ESTUDIOSO, POLÊMICO MAS DE FÁCIL AMIZADE! Hoje o Blog conversa com Ramón Dias, um dos jovens mais conhecidos e queridos de São Manuel!


Ramón Dias, sãomanuelense de corpo e alma, manuelino da gema, polêmico, embora extrovertido e de fácil amizade. Jovem de opiniões próprias e com interesse no futuro(seu e da sociedade).

Muito querido em toda cidade, tendo, inclusive, seu nome cogitado a candidatar-se a cargo público nas próximas eleições(Vereador), Ramón optou por ausentar-se e investir nos estudos.

Depois de viajar muito, conhecer e aprender, prestou Vestibular e foi  aprovado em 4º lugar no curso de Gestão de Políticas Públicas da USP, o que o levou a morar na Capital do Estado, sem regalias ou favorecimentos, mas apenas com o básico que lhe trará o Diploma tão almejado!

Apaixonado por fotografias e com um 'olho de gato' para seu hobby, sempre recebeu elogios pelas imagens registradas e fez estripulias para comprar uma boa câmera!!!

É com este 'sonhador' e idealizador que conversamos hoje no 'Na Boca Do Povo' do Blog Cornetando.

Vamos conhecer um pouco mais de Ramón Dias, contado por ele mesmo!!!

 

"Caro Sandro, agradeço em demasia pelo convite, aliás, pelo espaço que sempre me concede em seus canais de comunicação, desde a época em que mantinha a coluna semanal em seu Blog e por postagens dos movimentos que outrora pude fazer parte; é um prazer escrever novamente aqui, um veículo bem quisto pela população de São Manuel e região.
Sou o Ramón Ricardo Dias, 22 anos, são-manuelense convicto e de família simples.



Vi meus pais lutarem muito para criar e educar os quatro filhos, algo de que muito me orgulho.
Vilson Dias, pedreiro de mão cheia, e Goreti Scarparo Dias, empregada doméstica e dona de casa aguerrida, meus exemplos de força e simplicidade, aos quais devo muito do que sou hoje.


Com infância predominantemente católica, meu sonho era ser Padre, capaz de “brincar de fazer missa” em casa, tamanha era a vontade.

Tudo mudou na pré-adolescência, quando vieram muitos questionamentos que não obtive respostas no catolicismo; após alguns anos, conheci o Espiritismo de Allan Kardec, onde me encontrei e mergulhei de cabeça, participando até da monitoria de Encontros de Jovens em vários cantos do Estado. 

Estudei a vida toda em escola pública, primeiro na EMEFEI Geraldo Pascon, na Cohab 3 - bairro onde minha família mora até hoje -, depois na EEI Atílio Innocenti, das quais mantenho imenso orgulho.

Meu primeiro emprego foi como “guardinha” na Legião Mirim, no qual permaneci por alguns meses. Após esse período, fui aprovado em um teste e comecei a trabalhar como Jovem Aprendiz na Primeira Vara cível do Fórum de São Manuel, onde permaneci por dois anos, até o vencimento do contrato, sendo admitido em seguida como Auxiliar Administrativo na empresa Soletrol.
Ainda na adolescência, tornei-me vegetariano, por diversos motivos, dentre os quais destaco a questão animal, social e ideológica, e hoje, cinco anos depois, me encontro em transição para o veganismo, contra toda e qualquer opressão animal e humana. Na mesma época, adentrei à Ordem DeMolay, que é destinada a jovens e possui princípios filantrópicos. Também tornei-me voluntário na Instituição Assistencial Maria de Nazareth, que é ligada ao Centro Espírita Fé e Caridade, do qual faço parte.

Em meio a esse período de grandes mudanças em minha vida, comecei a ter contato com a política, devido às grandes manifestações de 2013, as quais pude participar da organização, junto de muitos amigos. Após estas, engendrei esforços nos movimentos contra a taxa do lixo e pela reconstrução da ponte da Vila Santa Helena.
Terminado o ensino médio, iniciei o curso de Comunicação Visual na ETEC Dona Sebastiana de Barros, o Colégio Agrícola, o qual me rendeu a conquista do intercâmbio para Washington DC, capital dos EUA, devido à boa média de notas no curso.

No mesmo período, fui surpreendido com a notícia que havia sido premiado com um notebook pelo Governo do Estado, devido ao bom desempenho na prova do Saresp, feita alguns anos antes.

Prestes à viagem, pude rifar o notebook e utilizar o dinheiro para comprar uma nova câmera fotográfica nos EUA, realizando meu sonho e alimentando um grande hobby, que é a fotografia.
Durante a viagem, a qual não pude escolher o destino, mas que me foi uma grande experiência, expus fotos de São Manuel na frente de um dos maiores símbolos americanos, o capitólio, rendendo grande visibilidade à nossa terra. 


Ainda na Soletrol, tendo de conciliar o trabalho com as aulas do cursinho pré-vestibular da Unesp Botucatu no período noturno, visando uma vaga em universidade de excelência, foi uma época onde a força de vontade teve de falar mais alto. O cursinho foi extremamente necessário, pois como todos sabemos, por mais aplicado que seja, um aluno de escola pública não está no mesmo patamar de um de escola particular na disputa por uma vaga em universidade pública, devido a grande diferença no ensino.

Como não conseguimos o reembolso escolar na Prefeitura de São Manuel, tivemos de arcar com os altos custos de viagem até Botucatu, motivo pelo qual não pude abandonar o trabalho, tendo jornada dupla. Foram vários os dias de virar a noite estudando e revisando conteúdo, além da correria de chegar do trabalho e já pegar a van para a cidade vizinha.

Chegado o final de 2015, a recompensa: aprovado em 4º lugar no curso de Gestão de Políticas Públicas da USP, o melhor do país. Desde então, no início desse ano me mudei para São Paulo, onde vivo num minúsculo quarto de uma pensão no bairro do Belém, zona leste da capital, e sobrevivo com as bolsas de permanência estudantil da faculdade e uns raros bicos como fotógrafo em festas, quando me sobra tempo.


Assim sigo adiante em busca dos meus sonhos, enfrentando as dificuldades e superando muitos desafios, imaginando que tudo me é possível e está ao meu alcance, desde que me dedique para tal e o mentalize o suficiente.

Meu objetivo final ainda é incerto, mas sei que será algo em prol da coletividade.

No momento, para o futuro, cogito atuar dentro do Estado, no fomento de políticas públicas - especialmente voltadas à área social -, ou dentro de alguma grande instituição, como o Programa Mundial de Alimentos (PMA), um órgão da ONU que combate a fome no mundo. 

RAMÓN DIAS"






1) Ramón, como você vê a política nacional estremecida com a corrupção do PT e com denúncias sérias contra Temer e aliados?

RAMÓN: Vejo como puro reflexo da sociedade brasileira, afinal, os políticos são cidadãos comuns e eleitos pela maioria, de acordo com nosso regime democrático. Assim como afirma o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda no livro “Raízes do Brasil”, o “jeitinho brasileiro” é algo inerente à sociedade brasileira, que nasceu ainda na formação das sociedades ibéricas, que seriam as responsáveis por colonizar o Brasil, tornando cultural a confusão do público com o privado. Logo, é pura inocência acreditar que o PT inaugurou a corrupção no país… Estaríamos vivendo um dos momentos mais corruptos de nossa história ou, por termos 26 anos de democracia, estaríamos com a percepção cada vez maior sobre os nossos direitos e sobre a corrupção, ainda mais agora com o advento da internet, onde grande parte da população recebe informações em tempo real?

Considero de grande valia os esforços para identificar e prender os corruptos, pois nunca vimos uma Polícia Federal tão ativa e autônoma como agora. Tudo isso serve para reforçar nossas instituições e dar mais saúde à nossa frágil democracia.

Porém, como nem tudo são flores, vejo problemas pontuais e um certo partidarismo na operação Lava Jato, pois, no decorrer dos dois anos que a cercam, vimos apenas um partido ser alvo das maiores prisões e uma espécie de “vista grossa” com os casos de corrupção dos demais partidos que também apareceram nas delações.

Quando levanto essa questão, muitas pessoas pensam que estou defendendo o PT, mas na realidade, qualquer pessoa de bom senso e que se indigna de verdade com a corrupção deveria levar em consideração. Em suma, vejo-a como uma operação com dois pesos e duas medidas, ou o famoso ditado: “Pau que bate em Chico não bate em Francisco”, visto os diversos casos de corrupção de outros partidos que passam impunes aos olhos de Sérgio Moro.

Ademais, fica difícil ter esperança que isso um dia melhore, pois agora, com o governo interino de Michel Temer, vemos que ao invés de avançar, as coisas começam a ficar piores do que já estavam.

A extinção da Controladoria Geral da União, junto dos diversos áudios de ministros de Temer ADMITINDO as ações para obstruir a Lava Jato e a retirada da urgência no pacote anticorrupção proposto por Dilma nos fazem refletir…

E o pior: os que antes gritavam contra a corrupção agora parecem acuados, dando a falsa impressão que algo mudou pra melhor com a saída de Dilma. Ledo engano.



2) Ramón, qual sua opinião a respeito da simpatia nutrida por jovens aos movimentos de esquerda e por personagens como Lula, Fidel e Maduro?

Eu, como muitos sabem, sou assumidamente de esquerda e atuo em alguns movimentos. Não vejo problema algum nisso e considero totalmente desnecessária a demonização que sofremos por pessoas que nos tratam como verdadeiros inimigos, com ofensas pessoais inclusive. Eu, como estudante de escola pública, afirmo com toda propriedade que o papo de “manipulação” por professores de esquerda nas escolas é mito, visto que a grande maioria dos alunos se forma sem ao menos saber quem é Karl Marx, inclusive eu, que era tido como aluno “aplicado”. Faço minhas as palavras do professor Leandro Karnal, durante entrevista no último programa Roda Viva: “Isso é crença de uma direita delirante e absurdamente estúpida, de que a escola forme a cabeça das pessoas e que os jovens saiam líderes sindicais; os jovens têm sua própria  opinião, ouvem o professor e vão dizer que é de tal partido, os jovens não são massa de manobra e os pais e professores sabem que os jovens têm sua própria opinião.”

É hábito dizer que os jovens são manipulados, que não sabem o que dizem e o que defendem e que isso é coisa da idade.

De fato, a juventude é fase de contestação, mas desmerecer os jovens e seus ideais é estar fadado ao velho, coisa de gente acomodada e conformada com sua situação. Por sorte, a juventude com seu sopro idealista e “utópico” segue evoluindo a sociedade, lutando por causas justas e inclusivas, como o fim da opressão e violência contra as mulheres (movimento feminista), contra o preconceito e por mais direitos à população negra, indígena e LGBT, além da luta contra a desigualdade social, não se contaminando com o conformismo das “almas velhas e cansadas”, fadadas ao conservadorismo. Como diz Elis Regina em uma de suas canções, “é você que é mal passado e que não vê, que o novo sempre vem”.

A juventude, em sua maioria, tem tendência a ser avessa ao conservadorismo, como é possível ver atualmente nos EUA, onde 80% dos jovens declaram apoio ao candidato “socialista” Bernie Sanders. Outro exemplo vem da Inglaterra, onde na votação do Brexit, mais de 70% dos jovens votaram contra a saída do país da União Europeia, uma pauta considerada conservadora.

O cantor Charlie Brown cantava uma verdade presente até os dias atuais: “o jovem no Brasil nunca é levado a sério”, e isso se comprova com essa demonização da simpatia da juventude aos movimentos de esquerda e liberais, no sentido político.

Lula, Fidel e Maduro são rostos personificados dessa ideologia, mas todos possuem seus pontos falhos, como todo ser humano.

Em minha opinião, que não chega a ser “político-iconoclasta”, é desnecessário venerar pessoas à frente de cargos políticos; muito melhor é analisar seus legados em prol das populações às quais puderam representar, e com isso, nem todos esses merecem méritos. Nisso, a esquerda é campeã em discordar dentro dela própria.



3) Qual sua posição a respeito do papel da imprensa, de uma forma em geral? Como enxerga a parcialidade dos orgãos da mídia?

Parto do princípio que mídia imparcial não existe, logo, tudo que é noticiado tem uma intenção. Ao meu ver, é muito nítido o jogo da mídia: as famílias mais ricas do país são as donas dos meios de comunicação, e sabedores do poder da imprensa sobre a população, cabe a elas decidir coisas importantíssimas ao rumo do país, das quais não fazemos ideia que ocorram.

A mídia tem papel histórico na defesa do poder e do dinheiro, em várias partes do mundo. Serve para entreter e alienar as pessoas, sempre que conveniente.

Pra mim, a mídia teve papel fundamental no sucesso da abertura do processo de impeachment de Dilma, pois foi instalado um clima de caos e pessimismo nos principais jornais e revistas do país, com um sensacionalismo premeditado e orquestrado, que não vemos se repetir no governo atual. No dia das manifestações do “povo de verde e amarelo”, haviam chamadas ao vivo e constantes nos principais canais de TV, ajudando a levar ainda mais pessoas pedindo a saída de Dilma às ruas, o que não ocorreu nas manifestações do “povo de vermelho”, que ganhavam mísera atenção nos mesmos veículos.

No golpe de 64, a manipulação foi a mesma, onde só era divulgado o conveniente ao governo militar, e todas as redações possuíam uma sala para censura. A própria Rede Globo fez um mea culpa por ter apoiado a ditadura, com William Bonner assumindo publicamente numa edição histórica do Jornal Nacional. Há diversas maneiras de se divulgar a mesma noticia, e isso varia de acordo com a vontade de quem a emite. A revista Veja é o maior exemplo de partidarização da mídia, com uma conduta histórica na defesa de políticos de direita e omissão perante casos em que estes são acusados ou incriminados.

Há também veículos de esquerda, como a revista Carta Capital e alguns sites, mas com uma audiência muito inferior aos de direita.

Muitas pessoas devem se perguntar: “Qual seria, então, a melhor maneira de se informar, diante de tantas manipulações?” Pra mim, o ideal é se informar em veículos de esquerda e de direita, afim de encontrar um meio termo nos fatos. É um pouco mais trabalhoso, de fato, mas pessoas que se informam apenas através de manchetes sensacionalistas é tudo o que eles mais querem. Não sejamos estas, pois.



4) Ramón, falemos agora um pouco de política local. Sabemos que sempre militou pelos direitos dos cidadãos, principalmente contra a Taxa do Lixo. Em sua opinião, onde foi que Marcos Monti errou em sua administração e onde acertou?
Com o pouco que pude estudar sobre gestão pública na faculdade até o momento, vejo que realmente não é fácil administrar uma cidade, ainda mais com problemas que modificam a agenda pública, e consequentemente, o orçamento municipal, como foi o caso dele. Aí entra o jogo de cintura do gestor, que ao meu ver, foi o que faltou ao prefeito.

O fato de criar a taxa do lixo sem consultar e explicar à população sua necessidade antes de aprová-la foi seu maior erro. O insulamento do governante nunca é sadio, pois a população precisa participar e entender medidas polêmicas como estas. A grande revolta da população poderia ter sido evitada se tivessem ocorrido audiências públicas nos bairros, discutindo as possíveis alternativas para evitar o grande custo ao povo, e mesmo que fosse inevitável, explicar-lhe os motivos com antecedência.

Outro grande erro foi a perseguição aos críticos de sua gestão, mesmo que não partindo diretamente do Prefeito, isso ocorreu por parte de seus “apoiadores” e gerou-lhe diversas críticas; não houve o tal jogo de cintura para lidar com as críticas e optaram pela censura na página da Prefeitura, o que poderia ser um rico canal de comunicação com a população. Eu e diversos amigos permanecemos bloqueados em postar comentários até hoje.

Outro enorme erro foi prometer coisas impossíveis de serem cumpridas através do famoso DVD, que nem cabem muitos comentários, de tão lastimável que é.

Além destes, a excessiva demora na reconstrução da ponte da Vila Santa Helena, com prazos que não se cumpriam, o que foi deteriorando ainda mais a opinião da população sobre a prefeitura.

Junto disso, pequenas coisas que foram totalmente desnecessárias e irritaram muito a população, como pintar a cidade toda de azul e branco, as dezenas e enormes placas com o “mais uma obra”, até coisas mais sérias, como as denúncias de nepotismo dentro da Prefeitura.

 Os acertos foram coisas básicas dentro de uma administração municipal, como reformas nos postos de saúde, asfaltamentos, término de obras paradas, construção de praças e academias ao ar livre, etc.

Uma coisa que muito valorizei em sua gestão foi a revisão do Plano Diretor Municipal, que, apesar de ser uma obrigação da Prefeitura, poderia ter sido executado de qualquer jeito, sem ser dada a devida importância, o que não ocorreu.

Foram engendrados muitos esforços por parte da Prefeitura e do pessoal convidado na construção do novo plano, que ficou excelente e merece ser valorizado por toda população e pelas futuras administrações.

No mais, acredito  que Marcos Monti conseguiu se sair melhor que seus antecessores, mas carrega consigo as marcas dos erros cometidos durante a gestão, que podem lhe custar a reeleição.
Confesso estar ansioso para as próximas campanhas eleitorais. 



5) Em sua opinião, como está hoje a Câmara Municipal de São Manuel?

Acredito que esteja como sempre esteve, composta por poucos Vereadores instruídos e que representam alguns projetos, cercados por outros que são eleitos para “esquentar cadeira”, os quais ficam à disposição da Prefeitura para montar sua base de apoio, no intuito de aprovar projetos; alguns Vereadores são muito ativos, levam projetos e os discutem no plenário, seguido por outros que nunca pude ouvir a voz, após dois anos frequentando as sessões na câmara.

Além destes, há as figuras caricatas, que a cada sessão nos matam de vergonha alheia, por diversos motivos.

Hoje, após ter estudado um pouco sobre o “presidencialismo de coalizão” de Sérgio Abranches, adaptado à versão municipal, consigo entender os conluios de Vereadores e sua subserviência à Prefeitura, no jogo da governabilidade.

O problema é o jogo sujo que rola nos bastidores e a indecência por parte de alguns vereadores, que se rebaixaram para defender coisas descabíveis, comprando briga com a própria população.

E o pior é que a curto prazo não vemos sinais de melhora, pois com a eleição a poucos meses, vemos candidatos que sequer frequentaram sessões e mal sabem as funções de um vereador, dando continuidade ao projeto falido de representatividade que vemos hoje.



6) Porque você não será candidato a Vereador nestas eleições?

Acredito que um vereador, como um cargo representativo de suma importância, deve, no mínimo, ter certo domínio das leis e saber como funcionam os três poderes, para que assim possa verear com consciência de seus deveres e obrigações perante o cargo que assumiu. No momento, preferi me instruir e me capacitar, para que, se no futuro desejar me candidatar a algum cargo representativo, eu cumpra com meu papel e exerça minhas funções da melhor maneira possível.
A este respeito, e como sou filiado ao recém formado PSOL em São Manuel, estarei a apoiar a pré-candidata de nosso partido, que divulgo aqui em primeira mão: Débora Tomazini, de 26 anos, recém aprovada na OAB, antes mesmo de finalizar a Faculdade de Direito que cursa na FMR.

Há a possibilidade de lançarmos também um pré-candidato a Prefeito, mas isso será decidido em breve.
Ainda sou jovem e preciso amadurecer muitas ideias; a faculdade está sendo essencial para este fim, pois estou aprendendo muito sobre política com alguns dos melhores professores da área no país, o que me auxiliará na tomada de importantes decisões.

Em suma, preferi estudar a cometer os mesmos erros grotescos que a maioria dos vereadores de nossa câmara cometem atualmente; eles e muitos candidatos veem a câmara como um meio de ganhar dinheiro fácil - e um bom dinheiro, diga-se de passagem -, e isso deve mudar.

Quem sabe um dia.



7) Falemos de São Manuel. Como você vê nossa cidade, no que se refere a crescimento? O que acha que falta para crescer?
Infelizmente a vejo como uma cidade fadada à estagnação, por diversos motivos.

Não é novidade que São Manuel tem se tornado uma cidade dormitório, algo que é bem problemático. Com a ausência de novos  empregos e com uma grande quantidade de jovens a serem inseridos no mercado de trabalho, a cidade infelizmente perde grandes talentos que saem para trabalhar e não voltam mais, devido à falta de oportunidades. Com isso, se tem uma reação em cadeia, prejudicando principalmente o comércio, depois outros setores, com a falta de consumidores.

Muitos são-manuelenses trabalham o dia todo nas cidades da região e só voltam para dormir, e quando tem um tempo livre para o lazer, não encontram opções que as fazem querem ficar por aqui e gastar seu dinheiro.

Os poucos ambientes para o público jovem e adulto são frequentemente alvo de reclamações e acabam até por fechar, diminuindo ainda mais essas opções.

Ou seja, não há como “acreditar em São Manuel” sem um plano administrativo de médio e longo prazo, que pense e resolva essas questões pontuais de suma importância. Não há esperança que sustente esse crescimento sem um plano estratégico e políticas voltadas a isso.

Ainda terei aulas específicas sobre esses problemas na faculdade, onde penso em elaborar meu trabalho de conclusão de curso voltado a São Manuel, analisando seus principais problemas e propondo soluções ligadas à gestão pública; assim, poderei dar uma resposta mais incisiva sobre esse tema, que a mim é de grande interesse. 



8) Falemos de família. Para muita gente uma instituição falida. Em sua opinião, qual o significado de 'FAMÍLIA'?

Ao meu ver, o modelo tradicional de família é algo falido, o qual alguns deputados conservadores querem manter vivo a todo custo, motivados por suas influências religiosas.

O mundo contemporâneo não é mais o mesmo onde as famílias eram constituídas exclusivamente por um pai, uma mãe e seus filhos. Eu sigo a constituição moderna de família, que foi recentemente atualizada no dicionário Houaiss: “Núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos, que geralmente compartilham o mesmo espaço e mantém entre si uma relação solidária”, ou seja, filhos criados com avós, filhos adotivos, com pais divorciados, com dois pais ou duas mães, não importa, são consideradas famílias.

Vejo muitas pessoas dizerem que família é uma instituição falida, se referindo à perda dos valores tradicionais, da inserção dos filhos às drogas ou à criminalidade, entre outras coisas, porém, ao meu ver, isso não depende exclusivamente da família; uma somatória de coisas devem ser analisadas antes de se culpar a família por tais problemas, e nessas se incluem o contexto social onde vivem, o nível de educação recebido pelos pais e pelos filhos, o acesso à cultura dessas famílias, entre muitas outras coisas.

Ao meu ver, o problema maior está na educação, cultura e inclusão, pois se o Estado for eficiente no fomento destas, a estrutura familiar poderá ser mantida com mais sucesso, evitando aqueles problemas citados, e não o contrário.



9) Ramón, te conhecendo, como conhecemos, diríamos que uma das coisas que você ama é FOTOGRAFAR. Fale-nos um pouco desta paixão e de como consegue extrair lindas imagens de qualquer cenário…

Descobri essa paixão por conta da vontade de mostrar as belezas de São Manuel às outras pessoas…

Surgiu ainda na adolescência e cultivo até hoje.

Como moro na Cohab 3, um local com uma vista privilegiada da cidade, e por ir a pé a maioria dos lugares, costumo ver coisas sob diferentes ângulos, e gosto de prestar atenção nos detalhes da paisagem da cidade.

Gosto de caminhar com fones de ouvido e ir visualizando possíveis ângulos para novas fotos na mente.

Fiquei surpreso com a grande quantidade de pessoas que demonstraram gostar das fotos, e foi o que me motivou a continuar fotografando. Minha mente não para um instante e por conta disso sempre necessito externar essa energia; quando criança o fazia por meio da arte, pintando quadros e desenhando durante as aulas de pintura fornecidas pela prefeitura, e quando estas acabaram, encontrei na fotografia uma nova “válvula de escape”.

Atualmente, por conta do tempo escasso, fico na vontade e vou fotografando com o celular quando possível, mas ainda tenho planos de futuramente organizar uma exposição em um museu ou galeria, algo maior e mais profissional, para que ainda mais pessoas possam ver as belezas de nossa terra. 



10) Ramón, gostaríamos que citasse coisas boas sobre São Manuel. Lugares, tradições, algumas saudades de tempos idos, algumas coisas que te marcaram, coisas que deixaram muitas saudades... 

Apesar da pouca idade, pude vivenciar coisas maravilhosas em São Manuel.

O fato de ter mudado para São Paulo me fez valorizar ainda mais o que temos de bom em nossa cidade, como a simplicidade do povo, o calor humano, a reciprocidade, o grande contato com a natureza, o riso fácil, o ar puro…

São coisas simples, mas que no cotidiano fazem grande diferença.

Raros são os são-manuelenses que não guardam belas recordações da banda aos domingos com o balão de gás hélio, de ter visitado uma fazenda e colhido uma fruta do pé, de ter levantado de madrugada - ou sequer dormido - no feriado de Corpus Christi, de ter ido com a família ou os amigos na tradicional festa de Aparecida, ou participado das festas de carnaval pela cidade…

Estamos conscientes de que muita coisa precisa melhorar, mas também temos de valorizar o que já temos de bom. Insisto sempre nessa tecla e tento passar essa mensagem através de minhas fotos, pois noto que os moradores sofrem, além de tudo, um grande problema de autoestima em relação à cidade, com uma triste mania de depreciar o que é daqui. Acreditem: vivemos em um paraíso e nem nos damos conta disso; só percebemos quando estamos longe.

Em suma, sou um grande apaixonado por São Manuel, minha célula mater, sem vergonha alguma de assumir isso, e dei a mim a missão de levá-la comigo onde quer que eu esteja.


Carrego comigo alguns ideais, os quais já deixei nítido no decorrer da entrevista.

Tenho quatro frases simples, mas cheias de significado, que norteiam o atual momento de minha vida. Digo o atual momento pois estamos em constante mudança, mas acredito estes prevalecerão no decorrer desta encarnação.

A primeira delas é de Rosa Luxemburgo, a eterna Rosa Vermelha, que traduz exatamente minha visão “utópica” de sociedade: “Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres.”

A segunda é de Criolo, que nutre minha fé na humanidade, seguindo os ensinamentos cristãos mais puros: “As pessoas não são más, elas só estão perdidas. Ainda há tempo.”

A terceira é de Rubem Alves, que me exemplifica no momento: “Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses”.

 A quarta e última é de meu grande mestre, Chico Xavier, que tem sido meu referencial pra aguentar e manter minhas ideias diante das frequentes investidas que recebo por defendê-las: “Se as críticas dirigidas a você são verdadeiras, não reclame; se não são, não ligue para elas.”

Assim, sigo adiante.

Agradeço a todos e todas que dispuseram de seu tempo para ler esses “textões” e conseguiram chegar até aqui; corajosos!

Agradeço mais uma vez a você, Sandro, pelo espaço a mim conferido.

Foi um grande prazer! 


RAMÓN DIAS 

2 comentários:

  1. Fantástico e inspirador! Parabéns, Ramón! Emocionante ler sua entrevista...

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  2. Adorei a entrevista Ramon. Sabia que você é uma pessoa muito iluminada e esclarecida, mesmo pelo pouco que o conheço. Continue na luta. Nossa Sama City agradece.....!!!

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