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Sandro Dálio

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São Manuel, São Paulo, Brazil
Radialista há 32 anos. Jornalista MTB 37.152 - Proprietário do Porão Stúdios - Foi Radialista na Rádio Clube de São Manuel e na Rádio Nova São Manuel - Apresenta atualmente o 'Passando a Limpo' na Integração FM de São Manuel - Graduado em Marketing - Foi Ouvidor do Município de São Manuel - As matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores.

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sexta-feira, 17 de junho de 2016

PARABÉNS SÃO MANUEL!!! 146 ANOS!!!



Nasci há quase 42 anos em São Manuel.



Minha mãe me disse que meu nascimento foi no Hospital de nossa cidade, por volta das 23 horas de um 17 de novembro, pelas mãos do saudoso Dr. Manoel Felzener e que, na época, residíamos na Vila Santa Terezinha.

Moramos ali por alguns meses.

Logo depois, minha família estabeleceu-se na Rua Francisco Jerônimo da Silva.
Foi onde tive a maior parte da minha infância, até os 11 anos.

Depois, nos mudamos para o centro, mais precisamente na Duque de Caxias, ao lado do Santuário que, não por acaso, marcou demais minha adolescência.

Conheço São Manuel como a palma da minha mão.

Durante meus quase 42 anos, vi nascer muita coisa na cidade. E vi morrer outras mais.

São Manuel era tão pacata que, se não me engano, tinha uma viatura de polícia. E era uma 'baratinha'... muito parecida com essa:



Vi o nascimento de Bairros e Vilas.
O Bairro da Conquista não existia.

Onde hoje existe uma central da Sabesp, ao lado da Ponte dos Romeiros, existia um campinho de futebol, com aquelas traves de bambú. Nós mesmo cortávamos o bambú e fazíamos as traves.



A Vicinal Tharcílio Baroni não existia. Era uma estrada de terra que se estendia até Aparecida de São Manuel.



Lembro-me que aquela gruta, que tantas lendas guardam, na entrada do Bairro Nova Conquista, era local de rezas e de procissões.
Em tempos de estiagem, a população se reunia e subia toda a estrada para ir molhar a gruta, pedindo chuva à cidade.
Contavam os mais velhos que ali tinha sido enterrado um rapaz, por um fazendeiro inescrupuloso, que descobriu que ele havia engravidado sua filha. O rapaz foi enterrado vivo, só com a cabeça pra fora e gritava por água...

Se é verdadeira a história(ou 'estória', como queiram), não posso afirmar. Mas teria nascido daí a procissão que, em tempos de falta de água, pedia intersecção da alma daquele rapaz, para que chovesse.
Era menino de tudo. Mas me lembro como se fosse hoje daquelas filas enormes de velas acesas subindo a estradinha...

Hoje, essa tradição já não existe mais...

O Bairro Bela Vista e o Jardim Açaí também não existiam.
Pra dizer bem a verdade, nestes locais(inclusive na Conquista), existiam chácaras e fazendas.

Muitas vezes, nos reuníamos em grupos para buscar mexerica, laranja, banana... tudo sem ordem, claro. Mas, molecada, você sabe como é...
Lembro-me que trazíamos o coração dos cachos das bananeiras, que era transformado em salada. Tinha quase o sabor de palmito e, se bem temperado, transformava-se em um prato atraente e saboroso.

Onde existe o Pesqueiro hoje, também ao lado da Ponte dos Romeiros, existiam pequenas chácaras e um terreiro para "abanar", secar e separar o café. Lembro-me da Dona Cacilda, uma senhora que ali morava e que tinha uma grande criação de porcos. Ela buscava "lavagem" nas casas das redondezas para engordá-los. Lembro que ela carregava aquelas vasilhas enormes na cabeça.

  

O centro da cidade era muito diferente. Mas já nos divertíamos no Jardim Público, pulávamos Banda, escorregávamos nas laterais das escadas da Câmara Municipal, comprávamos figurinhas das Copas e do Brasileirão no Bar do Seu Alceu, frequentávamos os dois cinemas: o São Manuel e o Paratodos!



Assistíamos aos grandes desfiles de Carnaval com a Katocha, Kukunká, José do Patrocínio, sempre animados pelo Colé e sua turma(um show à parte!) e víamos os maravilhosos trabalhos de Corpus Christi realizados pela saudosa Prof. Tereza Mazzuco e sua equipe.

Comprávamos leite na Leiteria do Celso Litério, sorvete Fura-Bolo no Bar do Basseto, feijoada nos fins de semana na Ki-Brasa e jogávamos fliperama no Bar Brasília dos Viotto, onde existia o mais famoso churrasquinho de São Manuel e região.

Já que citei a Leiteria do Celso Litério, uma de minhas recordações mais antigas é de quando o Celso tinha um funcionário que entregava leite nas casas. Eram em litros de vidro grosso, geralmente tampados com rolhas. O entregador deixava no portão das residências e ninguém mexia... O mesmo acontecia com os pães, principalmente com o tradicional 'pão bengala'!!!

O comércio da cidade era forte!!! Tínhamos armazéns fortes de famílias japonesas: Yshioka, dos Watanabe, Sakamoto, Iwasaki.
Tínhamos a Casa Ricci, Bancos como o Real e o Unibanco, Farmácias como a Drogaria Popular(que ainda resiste ao tempo!), a do Massarico, Supermercados como o Maringá. A Casa Patana e a Casa Surita tinham muitos clientes. A loja da família Tedesco também!

E AS COMEMORAÇÕES??? 

Lembro-me dos shows e atrações artísticas durante festejos de aniversários da cidade.

O Poliesportivo não existia e, ali onde era chamado de "buracão", armavam-se circos, principalmente do Vassourinha, e parques, com apresentações musicais, geralmente em carrocerias de caminhões, transformadas em palcos.



Vi apresentações de Tonico e Tinoco, Ponteiro e Ponteado, Duo Glacial, Grethem e outros.

Tive o privilégio de assistir, AO VIVO, uma apresentação de Tião Carreiro e Pardinho no pátio da Igreja Matriz.

Vi Chitãozinho e Xororó num circo armado em frente ao Tênis Clube, onde a Bardela morava. Tava chovendo naquele dia, mas os "Meninos do Brasil" nos encantaram com sucessos como Amada Amante e Fio de cabelo.

Assisti Gilberto e Gilmar, César e Paulinho, todos em início de carreira. Sempre apresentando-se em frente ao Hotel Municipal(hoje Astral).



Já que citei o São Manuel Tênis Clube, lembro de muitos dias de natação e brincadeiras que por ali vivi, com amigos como Elaine Sávio, Flávio Ragazzi, Márcio e Marcos Pereira dos Santos, Raquel e Robson.
Meus irmãos e meus pais juntavam-se a nós todo fim de semana. Recordo-me com carinho e com gargalhadas o medo que meu saudoso pai tinha de entrar na piscina. "Ela vai afundar" - dizia ele. Vivia no canto da piscina grande do Tênis e dali não saia. E, quando saia, era pra nos jogar na água...

Jogamos muito futebol de salão ali no ginásio do Tênis. Pulei muitas matinês de Carnaval ali.
E comemos muito doce na Lanchonete, com o Alfredo Lopes e depois com Seu Ataíde(já falecido).

Comprávamos "gibis" da Turma da Mônica, da Disney, do Tarzan, do Gasparzinho e do Brazinha, da Turma do Pererê e álbuns de figurinhas.
Tinha o famoso "calquito", que eram cartelas onde se esfregavam os desenhos e eles saiam coloridos no caderno, na geladeira, nas carteiras da Escola...

  

E por falar em Escola, passei anos de minha criancice na Creche D. Leonor Mendes de Barros e estudei todo o Ensino Fundamental(que era chamado de 1º grau) na Escola Augusto Reis. Deliciei-me com as merendas! Tenho saudades da polenta, das sopas e do sagú ali preparados. Lembro-me do seu Carmelin, do Seu Agostinho, da Dona Zuê, da Dona Carminha e de tantos professores maravilhosos. Recordo-me com saudades e água na boca dos sorvetes de creme holandês e de groselha do Bar do Lixa e das compras de materiais escolares no Jota!

Lembro de amigos inesquecíveis da Escola: Cristiano Gaffo, Caio Inocenti, Adilson Miráglia, Edson Brandini, Juliana Venâncio, Alessandra Brandini, Carlos(Hoje na Polícia Militar), Rodrigo Gobbo, Alessandra Anizi, Elaine Sávio, Emerson Anizi(o Padre Mizí), Adriana Boscoa, Cristina(filha do Pastor Nelsinho, já falecida) e tantos outros.

Logo depois estudei na Escola de Comércio, no curso de Contabilidade e depois Administração.
Não terminei nenhum deles, mas conheci muita gente, bons professores e aprendi muito.

Mais tarde, tive que me virar para concluir o 2º grau e ingressar numa Faculdade.



Fiz catequese no Instituto de Educação, fui coroinha no Santuário e na Matriz.
Minha primeira Comunhão foi no Santuário com o Padre Dino.
Tenho as fotos até hoje.

As Cohabs 1 e 2 não existiam.
Nem o Bom Pastor, Jardim Mellita, Dinkel 1 e 2, Alvorada.

A Vila Ipiranga ia até o Recanto Ouro Verde. Depois, era só mato e chácaras.

A Rodovia Marechal Rondon tinha só uma pista de mão dupla. Um perigo!

A Cohab 3 e o CDHU 1 também não existiam. Lembro-me que a Vila São Geraldo ficava longe, muito longe mesmo. E a cidade, seguindo pela Epitácio Pessoa, terminava, nesse ponto, na Jardim Brasil e na Vila Industrial. Nada de Vila Kennedy ou Chácara Saltinho, muito menos Vicinal Nilo Lisboa Chavasco.

O Parque Albatroz estava nascendo e a entrada pelo Clube de Campo do Recreativo ainda era de terra.

A Rádio Clube, a única na cidade, funcionava onde hoje é o Cine Teatro São Manuel e, logo depois, mudou-se para onde se encontra novamente, na Cel. Rodrigues Simões.



Ali conheci grandes nomes do rádio local e regional, e tive o prazer de trabalhar com eles: D. Nenê, Dr. Daniel, Beto Sales, Edgard Felipe e Paulo Felipe, Dirceu, Pereira de Souza, Comotti, Luizinho Guimarães, Pirací, Marcos Cordão, Salomão, Cecéu, Caldeira, Arildo Luis, Osmar Nascimento e tantos outros... Aprendi muito.



Transmitimos jogos incríveis da nossa querida Associação Atlética Sãomanuelense, que já não existe mais! Meu pai costumava nos levar ao Estádio da Rua XV nos domingos de jogos, onde comíamos muita pipoca com molho de pimenta e amendoim no saquinho de papel!

ENFIM... São Manuel era mais próspera, nem é preciso dizer.

Muitos que lerem este artigo de hoje, quando nossa cidade comemora seus 146 anos, lembrar-se-ão de tudo o que aqui foi escrito. Bons tempos... tempos da Fiação trabalhando a todo vapor, da forte Cooperativa de Cafeicultores, da Usina São Manuel(onde jogávamos futebol nos fins de semana), do Seminário(onde hoje funciona um Colégio particular), dos atiradores do Tiro de Guerra, dos agricolinos,das quermesses, das Festas Juninas, do "malha Judas" e por aí vai...

Não se ouvia falar em desemprego... serviço tinha de sobra...



A Estação, hoje esquecida e com projeto de recuperação(pela Usina), ainda conservava seus traços. Não era local de viciados e traficantes. Muito menos de pichadores. Costumávamos brincar de esconde-esconde entre suas paredes.

São Manuel, para mim, além de meu lar desde sempre, é a cidade mais bonita, mais charmosa e mais prazerosa de se viver.

É a cidade onde ganhei 28 prêmios de Melhor Comunicador e Melhor Programa de Rádio.

Cidade onde vi nascer diversos grupos caritativos e entidades assistenciais.

Onde vi nascer e morrer muita gente ruim e muita gente boa, no entanto, todas elas, para sempre marcadas em seu folclore e em sua história.

Hoje, a guerra que prevalece, onde adversários políticos são transformados em INIMIGOS, enfeiou nossa cidade e a atrasou anos e anos. Parece inacreditável que brigas entre grupos políticos tenham interferido tanto no crescimento dela!!!

Há quase 42 anos, São Manuel disputava com Lençóis, Botucatu, Macatuba, Agudos...
Éramos atores principais. Fazíamos parte do primeiro escalão.

Atualmente somos meros figurantes.

Tomara Deus e ao seu povo que, daqui pra frente, possamos reagir, nos reerguer e retomarmos o lugar de onde nunca deveríamos ter saído.

Que cessem essas brigas insanas pelo poder. Que os administradores atuais esqueçam do próprio umbigo e enxerguem atentamente as reais necessidades do povo. Que coloquem, de uma vez por todas em suas cabeças que, o tempo passa, tudo passa e que, se hoje ESTÃO, não significa que SEMPRE SERÃO.

Só assim, quando entenderem que acima de EGOS, está nossa Princesinha da Sorocabana e sua sofrida gente, é que poderemos retomar os trilhos do progresso e da dignidade.

AMO SÃO MANUEL!!!

E desejo, a toda sua população, aos dirigentes políticos e eclesiásticos, à sua Justiça e autoridades constituídas, um FELIZ ANIVERSÁRIO!

Que em 2017, no dia 17 de junho, quando completarmos 147 anos, possamos ver uma cidade diferente. Ou igual àquela que um dia foi...


PARABÉNS SÃO MANUEL!!!


SANDRO DÁLIO...
Jornalista - MTB 37.152


OBS: muitas imagens consegui junto ao Blog do Eduardo Delamônica


ADEUS PROFESSOR!!!



BOA PARTE DE NOSSA INFÂNCIA ESTÁ ADORMECENDO PARA SEMPRE...

Faleceu ontem o ator Rubén Aguirre, o Professor Girafales do seriado CHAVES!

Ele tinha 82 anos e vinha enfrentando vários problemas de saúde.

Em sua última entrevista, em novembro do ano passado, Rubén emocionou-se ao falar de Roberto Bolaños, o Chaves, seu amigo eterno.

Obrigado Rubén por fazer parte de minha infância!

RIP PROFESSOR GIRAFALES!

2 comentários:

  1. Cara, emocionante seu texto. Apesar de não ter nascido em Sama e de já ter me mudado daí há 20 anos, morei aí dos 6 aos 17 anos e tenho ótimas recordações dessa cidade. Meus pais ainda moram aí e sempre que posso vou visitá-los e visitar essa cidade tão especial.
    Parabéns Sandro pelo texto e pelo amor à cidade. Parabéns São Manuel!!!
    Alexandre Nobre

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  2. Parabéns pela homenagem a nossa cidade.!!! Me fez lembrar de tudo o que vivemos nesses anos. (Pois somos da mesma época e tbem me lembro com muita saudades da Escola Augusto Reis e do bar do lixa.....) Só senti você não ter comentado do Lar "Analia Franco", pois este sim foi e continua sendo um patrimônio histórico da cidade. Sem contar a importância que ele teve e tem (apesar de tudo e dos políticos fazerem vistas grossas e fingirem que o Lar "Analia Franco") não existe, todos na nossa cidade deveriam dar muito mais valor a ele..... Abraços Sandro.!!!!

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